sábado, agosto 26, 2006

Conselhos aos jovens

Jovens, se puderdes, lede o último livro de Vasco Pulido Valente. Um Herói Português, biografia de Paiva Couceiro. Excelente retrato de um homem e de uma época. Ainda por cima, VPV é dos poucos portugueses que pensam. Dizem que gosta do trotil, não sei, mas consegue ser uma das poucas cabeças pensantes nesta desgraça que é a "intelectualidade" lusita. Lede também, por favor, Considerações Sobre a Desgraça Árabe, de Samir Kassir, onde se vê que até um crítico do imobilismo árabe não consegue evitar a aldrabice e a vitimização. Impressionante, como aos árabes nunca chegou o Iluminismo. Ah, e puta que pariu o Che Guevara e quem anda com t-shirts e porcaria dele.

sexta-feira, agosto 25, 2006

Return of The Evil Dead

Tal como prometido, reabre o tasco nesta data célebre, a da morte do grande filósofo germânico Frederico Nietzsche. Não vou entrar em polémicas acerca do seu suposto nazismo. Posso afiançar, com toda a certeza, que não o era. Também não me pronunciarei sobre se a mana Elizabeth o deturpou ou não, visto tratar-se de uma questão familiar com a qual ningém tem nada a ver. Agora, quanto à sua homossexualidade é que não. de há tempos a esta parte, o nojento lóbi gay deu em rotular qualquer grande escritor e pensador como sendo dos da sua laia. Claro que só o fazem com os que estão mortos e não podem senão defender-se por interposta pessoa. É o caso de Nietzsche. Os panilas, na tentativa de justificarem o seu comportamento aberrante andam também a dizer que ele teria um caso com Wagner. Ora, trata-se da mais infundada aldrabice que se possa imaginar. Não existe qualquer documento onde tal facto fique comprovado. Dizem os bichas:"Ah, mas se não há, também não existe nada em contrário." Até pode ser, mas quem acusa é que deve apresentar provas, e neste caso são eles que o devem fazer. Já basta de lançarem lama sobre o nome de Shakespeare, Marlowe e outros. A pouca vergonha não passará!
Entretanto, está aqui a Sofia a dizer para irdes todos à merda. Eu não sou tão rigoroso, fique desde já aqui o registo. Ainda confio na humanidade.

sábado, agosto 19, 2006

Encerrado para Balanço

Como já reparastes, o tasco tem estado encerrado para balanço. Reabrimos a 25 de Agosto, data em que se comemora o falecimento de Frederico Nietzsche, o célebre filósofo germano que endoideceu, segundo alguns por causa da sífilis, visto ter procurado mulheres da vida quando novo. A ser verdade, esta é uma boa razão para nunca procurardes mulheres da vida, ou mesmo homens, pois infelizmente vivemos numa sociedade em que existem homens que gostam de homens, apesar de este ser pecado de bradar aos céus, e por ele ter sido destruída a cidade de Sodoma. É daqui que deriva o qualificativo de sodomita, sendo que este é um homem que gosta de sodomizar outros homens ou mulheres. Sodomizar designa o acto sexual por trás, à maneira dos animais, sendo que é um dos piores pecados existentes, já condenado na idade média, pois vemos Dante a colocar esta raça de degenerados num dos círculos do Inferno. Tradicionalmente, o Inferno é concebido como um lugar ora muito quente ora muito frio, mas a verdadeira essência do mesmo é a ausência da palavra de Deus, o indizível, por isso não se percebe como poderia tal palavra ter ali lugar. Bem, mas noto que me chamam para jantar. Regressaremos dia 25, então. Até lá, venerai a Satanás.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Já me esquecia que é só artistas

Desde que a arte morreu, sabe-se que se tornou extremamente fácil disfarçar polícias de artistas. Quando as últimas imitações de um neo-dadaísmo regressado são autorizadas a pontificar gloriosamente no mediático, e, portanto, também a modificar um pouco a decoração dos palácios oficiais, como os bobos dos reis de pacotilha, vê-se que simultaneamente uma cobertura cultural se encontra garantida a todos os agentes ou auxiliares das redes de influência do estado. Abrem-se pseudo-museus vazios, ou pseudo-centros de investigação sobre a obra completa de uma personagem inexistente, tão depressa como se faz a reputação de jornalistas-policiais, ou historiadores-policiais ou romancistas-policiais. Arthur Cravan via sem dúvida chegar este mundo quando escrevia em Maintenant:" Na rua em breve não se verá senão artistas, e ter-se-à todas as dificuldades do mundo para aí descobrir um homem." Tal é também o sentido desta forma rejuvenescida dum antigo dito humorístico da vadiagem de Paris:"Olá, artistas! Estou-me a cagar se me engano."
Quem falava assim não era gago, era Guy Debord.

domingo, agosto 06, 2006

Ao Duce

A 28 de Abril de 1945, mais ou menos,
perto da fronteira suiça e não muito longe do lago de Como,
um numeroso grupo de nojentos cães raivosos,
distintamente reconhecíveis pelo latido, pelo agitar das caudas
e pelo pestilento cheiro a fezes,
interrompeu o passo a Mussolini na caminhada para o seu destino,
revirando assim o jogo e provocando a troca dos sentidos.
Os resistentes italianos,
(que certamente nunca conheceram o porquê da resistência)
justificando plenamente a sua condição mediterrânea
de homens de rija verga,
descarregaram cobardemente os seus carregadores
sobre um indivíduo notoriamente incapacitado para a prática do bem
(pois esta é uma das alegações que eles próprios alegam
quando sentem aquecer as latinas calças)
e que, numa atitude heróica, recusou trocar a vida
pelo enrabanço colectivo desses inqualificáveis porcos.
E não contentes em assassiná-lo à traição,
balearam em seguida a sua amante,
que era certamente um importante alvo militar,
e mesmo que o não fosse passaria a sê-lo nas cabeças peçonhentas desses merdas
que nunca em toda a sua vida (dedicada a combater pela razão)
haviam descoberto uma vermelha
que não abrisse imediatamente as pernas para receber a benção
que a virilidade resistente tinha para dar ao mundo.
Mas Petacci não era puta nem vermelha,
era a mulher de Mussolini honra lhe seja feita.
Depois de consumado o crime
penduraram os cadáveres numa praça de Milão
demonstrando aos prevaricadores a firmeza do carácter implacável
dessa matilha defensora da leitura leninista da judaica lei de talião
com a qual iriam devolver o sol a todas as crianças
anteriormente vitimadas por Saló
e os supostos excessos revolucionários dos camisas negras.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Afinal...

...não eram mais de 60. Foram 28, as vítimas do ataque israelita a Canaã ou o raio. Mais de metade eram crianças. Os media não se esquecem de o referir. Os pacifistas também não. Agora, aos pacifistas digo o mesmo que Ian Stuart: metam a pomba pelo cú acima. Onde é que eles estavam quando ocorreram os atentados em Bombaim? Onde é que eles estão quando há massacres em Caxemira? Onde é que estão enquanto os mafométicos chacinam animistas e cristão no Sudão? Onde é que eles estão enquanto os mafométicos colocam bombas às dezenas na Tailândia? Etc... Só saem à rua para clamar contra os judeus? E a coerência? Saiam por todos, sejam isentos. De resto: diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.
Ou seja, se eu não percebesse absolutamente nada do actual conflito entre Israel e o Hezbollah, teria uma maneira muito simples de saber quem tem razão: Passo os olhos pela imprensa portuguesa e vejo quem escreve a favor de Israel: Pacheco Pereira e Vasco Graça Moura. Quem é solidário com o Hezbollah e os palestinianos: Camarada Jerónimo e demais pcp's, Francisco Louçã e sua seita, Daniel Oliveira, Boaventura Guru Santos, Alexandra Coelho e quase todos os eruditos do Público, Clara Ferreira Alves e demais escritores de pacotilha. Ora, então quem tem razão? Não é difícil adivinhar.

sexta-feira, julho 21, 2006

Elogio da Distância

Na fonte dos teus olhos
vivem os fios dos pescadores do lago da loucura.
Na fonte dos teus olhos
o mar cumpre a sua promessa.

Aqui, coração
que andou entre os homens, arranco
do corpo as vestes e o brilho de uma jura:

Mais negro no negro, estou mais nu.
Só quando sou falso sou fiel.
Sou tu quando sou eu.

Na fonte dos teus olhos
ando à deriva sonhando o rapto.

Um fio apanhou um fio:
separamo-nos enlaçados.

Na fonte dos teus olhos
um enforcado estrangula o baraço.

Paul Celan

O presente poema surge incluído na colectânea "Sete Rosas Mais Tarde", traduzida e organizada por João Barrento e Y.K.Centeno. Foi editada pela Cotovia em 1993, reeditada em 1996. Paul Celan (1920-1970), um dos nomes máximos da poesia do século XX.