A 28 de Abril de 1945, mais ou menos,
perto da fronteira suiça e não muito longe do lago de Como,
um numeroso grupo de nojentos cães raivosos,
distintamente reconhecíveis pelo latido, pelo agitar das caudas
e pelo pestilento cheiro a fezes,
interrompeu o passo a Mussolini na caminhada para o seu destino,
revirando assim o jogo e provocando a troca dos sentidos.
Os resistentes italianos,
(que certamente nunca conheceram o porquê da resistência)
justificando plenamente a sua condição mediterrânea
de homens de rija verga,
descarregaram cobardemente os seus carregadores
sobre um indivíduo notoriamente incapacitado para a prática do bem
(pois esta é uma das alegações que eles próprios alegam
quando sentem aquecer as latinas calças)
e que, numa atitude heróica, recusou trocar a vida
pelo enrabanço colectivo desses inqualificáveis porcos.
E não contentes em assassiná-lo à traição,
balearam em seguida a sua amante,
que era certamente um importante alvo militar,
e mesmo que o não fosse passaria a sê-lo nas cabeças peçonhentas desses merdas
que nunca em toda a sua vida (dedicada a combater pela razão)
haviam descoberto uma vermelha
que não abrisse imediatamente as pernas para receber a benção
que a virilidade resistente tinha para dar ao mundo.
Mas Petacci não era puta nem vermelha,
era a mulher de Mussolini honra lhe seja feita.
Depois de consumado o crime
penduraram os cadáveres numa praça de Milão
demonstrando aos prevaricadores a firmeza do carácter implacável
dessa matilha defensora da leitura leninista da judaica lei de talião
com a qual iriam devolver o sol a todas as crianças
anteriormente vitimadas por Saló
e os supostos excessos revolucionários dos camisas negras.