Sábado, Julho 15, 2006

Tourada

Realizou-se ontem a XLII corrida de touros da rtp. Esta maravilhosa festa é organizada pela casa de pessoal da veneranda instituição, logo, paga pelos contribuintes, mesmo por aqueles que não se revêem em tal espectáculo. Eu não me revejo. Fiquei marcado desde cedo pela cantiga do Fernando Tordo. Ora, ver um comuna a cantar sobre tal tema gerou em mim desde muito cedo anticorpos contra esta nobre arte. Depois, um olhar mais atento a tal mundo revelou-me uma beatice doentia, um espírito caceteiro e demasiado miguelista para o meu gosto. A tourada é, em Portugal, um reduto de conservadorismo semi-marialva e peralvilho, sem qualquer ligação a eventuais tradições que sejam, de facto, genuínas. Acresce a tal cenário uma latente homossexualidade e temos um retrato pouco favorável. Georges Bataille bem o sabia, quando colocou a tourada na sua História do Olho. Os bandarilheiros e os forcados, com as suas farpelas justas e a moldarem indecentemente as partes fazem as maravilhas de qualquer gay. Não é, de resto, acaso nunca ouvirmos os panilas manifestarem-se contra as touradas. Gostam de ver os homens(?), pois muitos dos que lá andam são dos deles. De um espectáculo doentio, de uma perversão dos costumes, é do que falamos quando nos referimos à tourada. É mais que tempo de acabar com ela, com esse resquício de Sodoma.

1 Comments:

Blogger Caturo said...

Exageras porventura na possível paneleirice do espectáculo em questão, mas tudo o resto está muito bem visto.

Faça-se entretanto notar o carácter cobarde da coisa - uma multidão ululante por ver o seu macho-herói a mutilar um pobre animal, com intenção de o humilhar (a «humilhação do touro» é um termo técnico usado pelos próprios aficcionados para descrever o corte da orelha do bovino). O animal não tem culpa nenhuma de coisa alguma nem pediu para estar ali.
Isto já nem é sacanice, isto é doença.

Da tourada, só aprecio os (infelizmente raros) casos em que o toureiro grama com um corno pelas tripas adentro... aliás, os adeptos também deveriam saudar casos destes, dado que, se o combate é heróico, então o que de mais heróico pode haver é uma morte nesse combate...
Mas não: normalmente, limitam-se a dizer que é uma grande tragédia e pronto, escapa-lhes o lado verdadeiramente épico desta «tragédia»...


Os forcados, todavia, merecem respeito, dado que enfrentam o touro de mãos nuas e não o fazem sofrer.

2:32 AM  

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